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sábado, 14 de janeiro de 2017

LOUÇA LAVADA

Itamar havia saído a pé para passear pelo bairro, com seu filho de colo e passou em frente a um condomínio onde estava acontecendo uma festa muito rica. Ao atravessar a rua, percebeu que haviam objetos caídos no gramado do jardim, em frente ao estacionamento e começou a saqueá-los, pois, em sua opinião, estavam dando sopa e se ele não levasse os objetos, certamente apareceria alguém e os levaria em seu lugar. Eram talheres e pareciam ser de prata. Devem ter caído do faqueiro, enquanto alguém do buffet o transportava e ainda estavam ali, porque, talvez, nem repararam no sumiço das peças. 

Itamar quase morreu de vergonha ao reconhecer a garçonete que o olhava pela janela. Era Luísa, uma antiga amiga dos tempos do ginásio. Ao vê-lo agachado, ela percebeu que o amigo ficou constrangido por ter sido pego roubando os objetos, mas sentiu pena dele e fez sinal para aguardá-la, enquanto ela ia lá dentro pegar algumas coisas para ele. E após alguns minutos, Luísa reapareceu carregando consigo uma cesta grande e farta e disse que ele poderia levar para casa, pois já havia pedido o consentimento do seu noivo que era um dos proprietários do buffet. Itamar abriu a caixa e enfiou os objetos roubados dentro dela, enquanto Luísa foi atender os convidados da festa. Itamar percebeu que não ia conseguir carregar a criança e a caixa ao mesmo tempo. A amiga resolveu ajudá-lo, mas só conseguiu levar a cesta até a ponta da rua, e voltou correndo para a festa. Itamar se distraiu por alguns instantes com o filho e, quando olhou para a esquina, notou que a cesta simplesmente havia desaparecido. Olhou para os lados e viu um senhor negro carregando a caixa apressadamente em direção à favela. Itamar levantou do chão e correu atrás dele gritando, pega ladrão! Ao ouvir os gritos, o senhor acelerou mais ainda o passo, mas Itamar não desistiu e correu em sua direção até alcançá-lo. Agarrou-o pelo pescoço, houve luta e eles caíram, a caixa abriu e as coisas da cesta espalharam-se pelo chão da favela. Foi aí que Itamar percebeu que não se tratava da mesma caixa. 

- Cadê os talheres de prata?

Aquele bom senhor explicou-lhe que, na verdade, estava levando a cesta para um amigo da sua igreja. O irmão havia perdido o emprego, há seis meses e estava passando por necessidades. Itamar só acreditou naquele homem, quando ele mostrou o cupom fiscal do supermercado. Itamar ficou derrotado de vergonha e não sabia o que dizer ao senhor negro. Pediu perdão e, com certeza, foi perdoado. 

- O meu filho - Que loucura! – Lembrou-se de que, inconsequentemente, havia deixado o menino na calçada para perseguir aquele senhor negro. 

- Cadê ele? Alguém viu? – Procurou, procurou, e procurou tanto. Ninguém viu a criança. Voltou arrasado ao local da festa rica e, qual foi a surpresa  e alívio, o seu filho estava lá com a amiga de infância.

- Luísa, eu estava desesperado! A amiga o fez entrar e explicou-lhe que agora a criança estava bem, mas havia chorado bastante antes de ser encontrada sozinha. Itamar não conseguia parar de chorar. Os garçons tentaram acalmá-lo e lhe serviram um copo d'água com açúcar. A amiga havia dado um banho na criança para acalmá-la, depois serviu-lhe leite com algumas bolachas recheadas. O pequeno adormeceu de tristeza...


imagem da internet

Itamar abraçou e beijou tanto o seu filho adormecido e depois chorou ainda mais, arrependido da loucura cega de ter deixado o seu filho ali na calçada. Teve pressa, pois se lembrou que já havia passado muito tempo. Tentou sair dali, mas os garçons haviam trancado as portas e disseram que ele só poderia sair em segurança dali, após lavar toda louça da festa que, a essas alturas, já havia terminado. Itamar disse que não ia lavar coisíssima nenhuma. Disse que precisava ir embora urgente. Eles não permitiram e ameaçaram-no. Itamar não teve como continuar a dizer não, e então, submeteu-se. Após terminar de lavar toda a louça, pegou o seu filho da cama e, mesmo com o pequeno ainda dormindo, foi embora, com muita raiva. 

Ao chegar em casa, as luzes estavam apagadas, pois já era tarde. Abriu o portão e sem fazer barulho, começou a tatear o muro para se manter na direção da porta. Ao acender a luz da área, lá estava ela. A cesta. Entrou em casa e colocou o seu filho no berço. Voltou para a área e conferiu a caixa. Após constatar que se tratava da mesma cesta, pois os talheres de prata estavam todos lá. Caiu em prantos...

Quando Luísa percebeu que não seria possível para ela carregar a cesta até a casa de Itamar, ela deixou a caixa na ponta da rua e voltou para a festa, mas pediu para um dos garçons entregar de moto a caixa no endereço do amigo. Itamar não tinha visto o motoqueiro retirar a cesta da esquina e correu atrás de uma pessoa completamente inocente só porque carregava uma caixa similar. 

Itamar, ainda em prantos, caiu em si e constatou que o verdadeiro ladrão era ele próprio e se sentiu um grande cocô. E, agora, completamente arrependido, recolheu todos os talheres de prata da cesta e, após avisar a esposa da decisão que havia tomado, retornou ao condomínio. Ele devolveu todos os talheres de prata ao proprietário do buffet e lhe pediu perdão por tê-los roubado. Luísa, a amiga, o abraçou e disse que tinha visto ele colocar os talheres na caixa. Ela havia contado apenas para os garçons. Foi por isso que eles o obrigaram a lavar toda a louça. Itamar voltou para a casa, pegou aquela cesta grande e farta e a levou de presente para o amigo desempregado daquele senhor negro que ele havia perseguido injustamente. O homem juntou seus quatro filhos e a esposa e, de forma solene, agradeceu a Deus pelo gesto de Itamar. Depois orou, pedindo a Deus que derramasse bênçãos sem medida sobre a vida de Itamar. 
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Texto de Álvaro Pensativo

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

GREVE OU NÃO-GREVE?

E agora, José? Greve ou não-greve?

O Supremo Tribunal Federal admitiu cortes nos salários dos servidores públicos que fizerem greve a partir do ano que vem. Com essa medida, o STF não está desconsiderando o direito de greves legais e sim colocando um limite do que considera abusivo. 

É claro que muita gente está adorando a medida do corte nos salários dos servidores, pois, parece que o Supremo está defendendo o direito do povo, em geral, que precisa dos serviços prestados nos estabelecimentos públicos. Essa decisão, com o holofote intenso da Imprensa, repercutiu no país inteiro e provocou divisão e muita discussão por parte da população. Qualquer país sério do mundo respeita seus servidores públicos como profissionais valorosos. Mas aqui, no Brasil, essa categoria que já passa por tantas tribulações na hora de atender o público, em seu cotidiano, pois tem fama de serem preguiçosos, mas isso é falso. Enquanto nos outros países esses profissionais são respeitados ao extremo, pois trabalham em serviços essenciais para o bem-estar da população. E o Judiciário prefere contribuir ainda na desvalorização dos servidores públicos.

Os Servidores Públicos, sempre que houver necessidade, todos os anos fazem paralisações. Mas, é bem verdade, eles nunca ficaram devendo nada para governo nenhum, pois, não há perdão para os dias que eles ficam paralisados. Antes, há sempre uma reposição desses dias não trabalhados. 

As negociações, por reivindicações ou manutenção, dos direitos dos Servidores Públicos sempre foram feitas por intermédio dos sindicatos das suas categorias que, às vezes, após as reuniões nas assembleias sindicais, há as decisões por realizarem as greves, ou atos públicos e, com isso, pressionar o Poder Público a atender o que estiver sendo pleiteado pelos profissionais. E, pelo visto, agora, os sindicatos também terão de acrescentar mais esse pleito na pauta de reivindicações, pois parece que isso se sucede por falta de respeito ao funcionalismo público.

Para piorar, diante da "iminente" aprovação da Proposta de Emenda à Constituição, a, tão polêmica, “PEC 55 do Teto dos Gastos” que foi elaborada pela equipe de governo do Presidente Michel Temer, que os políticos oposicionistas denominaram-na de “PEC do Fim do Mundo”, por afirmarem que os investimentos nas áreas da Saúde e da Educação ficarão comprometidos por vinte anos (Essa PEC ainda está em tramitação no Senado Federal, mas a bancada governista está sinalizando que vai aprovar, pois são maioria), surgiram comentários de que, no ano que vem, os Servidores Públicos iriam deflagrar inúmeras greves por todo o país em protesto a tal PEC. Isso explica essa truculência do Supremo Tribunal Federal sobre os servidores. Ele sabe que a quantidade de servidores que discorda do governo é quase uma unanimidade. Com os cortes, é óbvio que a maioria optará por não participar das paralisações para não ter prejuízos financeiros, caso contrário, terão de arcar com os cortes em folha de pagamento e isso causaria uma enorme perda aos seus salários já tão defasados. A impressão que dá é que, realmente, o Supremo Tribunal Federal está se voltando contra os servidores para, dessa forma, tentar garantir a diminuição de greves no país até as próximas eleições presidenciais, protegendo, assim, o atual governo que tem quase 90% de rejeição da população. O Supremo acredita que, quando dói no bolso, faz o povo perder a capacidade de indignar-se. Entretanto, isso também pode surtir efeito contrário divido a atual situação da política brasileira. Os especialistas em política estão dizendo que o atual momento político no Brasil está prestes a explodir a qualquer momento devido os escândalos de corrupção na cúpula governista, a mesma que articulou a saída da Presidente Dilma Rousseff. 

Mas, enfim, José, greve ou não-greve? 

Os sindicatos dos Servidores Públicos poderiam tentar mudar a tática das reivindicações dos protestos, pois há sempre uma saída para tudo, não é verdade? E, ao invés de decidirem por ato, ou greve, apenas das categorias dos servidores públicos, poderiam unir-se com os sindicatos de todas as outras categorias, para tentar provocar uma Greve Geral contra qualquer decisão considerada polêmica no Supremo Tribunal Federal. Com essa atitude, em grandes proporções, deixaria bem claro quem é que realmente tem o poder de resolver a vida do povo brasileiro. E vale a pena aqui citar o ditado popular que diz: “O povo unido jamais será vencido”. 

Continuará havendo greve, sim. A luta continua, companheiro!
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Texto de Álvaro Pensativo

sábado, 26 de novembro de 2016

VIVA!

Havia acabado a força e o portão automático do estacionamento da escola parou de funcionar. Uma professora precisava sair com o seu carro, ela tinha que ir para outra escola e cumprir sua jornada diária de aulas. O vigia pegou as chaves do motor do portão no claviculário e o abriu manualmente, pois dali a pouco, também ia começar a chegar outros professores para o período da tarde. Havia a necessidade de escrever um cartaz para pôr do lado de fora do portão, com a finalidade de avisar os professores que iam chegar sem saber que a força havia acabado. O vigia pegou uma folha de cartolina na papelaria da escola, um canetão azul e pediu para uma professora escrever o aviso no cartaz. O professor Lauro interrompeu e disse que ele poderia escrever no cartaz, pois a sua letra fica ótima em cartazes. Ele, então escreveu: “O PORTÃO ESTÁ NO MANUAL – ACABOU A ERNEGIA” – Realmente ele escrevia muito bem. Sua letra era perfeita para cartazes, porém, quando o funcionário foi pegar a fita adesiva, a coordenadora leu o cartaz e perguntou:

- Quem escreveu este cartaz?

- Foi o professor Lauro. – Respondeu o funcionário. 

- Está com erro de português. Veja, ele escreveu “ernegia” ao invés de energia.

- É verdade! – Constatou o funcionário – Ele nem tinha percebido o erro. Mas, "tudo bem", disse ele: - É só para informar os professores que irão chegar sem saber da falta de luz. Senão eles ficarão à toa, lá na rua, achando que seus controles remotos estão com as pilhas fracas. 

- Não. Peça para ele refazer o cartaz, por favor. Senão as pessoas que vão passar na rua e ler, podem achar que nesta escola não sabe escrever corretamente. – O funcionário foi avisar o prof. Lauro que ele havia escrito errado. Ao constatar o erro, o professor disse:

- Putz, é mesmo. Falta uma letra r aqui. – Reescreveu a mesma frase, só que no verso do cartaz: O PORTÃO ESTÁ NO MANUAL – ACABOU A ERNERGIA 

O vigia leu e percebeu que ainda estava errado, mas apenas sorriu... O professor viu o sorriso irônico do vigia, e perguntou-lhe:

- Ainda está errado? - O funcionário respondeu que sim. Irritado, o professor Lauro foi até a papelaria, pegou outra cartolina, mas agora escreveu: O PORTÃO ESTÁ NO MANUAL – ESTAMOS SEM ELETRICIDADE – Pronto! Agora está tudo certo. – comentou o professor. Pode colar o cartaz no portão que está sem erro! Neste exato momento chegou a energia elétrica e todo mundo da escola gritou: - Viva!!!

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

2 HISTORINHAS PASMEI

Historinha I - COMO CHUPAR BALA EM SALA DE AULA SEM A PROFESSORA NOTAR? (Segundo uma aluna do 1º ano do Fundamental I)

Primeiro eu peço dinheiro para a minha mãe. Ela sempre dá. Passo na vendinha da dona Maria e compro as minhas balas preferidas. Na sala, eu peço para ir ao banheiro. Essa parte eu preciso fazer para poder desembrulhar a bala. Desembrulhá-la em sala de aula faz barulho. A professora fica neurótica se ouvir algum barulho de papel de bala. E, mesmo que a professora não ouça nada, tem sempre um aluno que ouve e me denuncia, ou aceita bala de suborno para não dizer nada à professora. 

Uma vez eu tentei levar balas desembrulhadas no bolso, mas as balas derreteram no meu bolso e foi horrível a meleca que virou. 

E, após abrir a bala no banheiro, eu a coloco no cantinho da boca. Mas tem que ser no canto de trás, entre a língua e os dentes que é para não causar volume na bochecha. Depois disso, eu não mexo a boca por nada e fico saboreando a bala, espero ela derreter até formar bastante calda. Aí, eu engulo a calda doce sem movimentar muito a garganta. A professora e nem os alunos nunca perceberam nada. O problema é ter que pedir toda hora para ir ao banheiro. A professora sempre briga e diz para a minha mãe que eu vou muito ao banheiro.

A professora não pode me pedir para fazer alguma leitura, pois, também não é bom. É que, quando eu leio, a minha voz sai com som de quem tem uma bala na boca e daí ela percebe e o plano dá errado. (Pasmei!!! kkkkkkk)

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Historinha II  -  POBRE DE DIREITA

Uma aluna do 1º ano do Fundamental I veio me mostrar o seu celular novo:

- Olha, tio, eu tenho um celular novo.

- É verdade? Você é rica, hem?

- Não, tio Álvaro. É um celular simplesinho.

- É, pode até ser, mas, quantos de seus colegas tem um celular novo?

- O meu celular tem lanterna e veio com chip de 8 giga de memória. Veio com carregador também. A minha mãe mandou por película de proteção e comprou uma capinha de celular do Corinthians.

- Você só pode ser rica!

- Eu moro numa casa de três andares.

- Viu? Você é rica. Só ricos vivem em casas de três andares.

- Eu também tenho um tablet Sansung e Pen Drive Sundisk, sabia?

- Rica!

- E o meu pai tem carro.

- Rica! Rica!

- A minha mãe vai comprar um carro só para ela. 

- Rica! Rica! Rica!

- A minha mãe comprou um computador “HP” novo e colocou no quarto dela. Ela deu o antigo da sala para mim. Ela deixou eu colocar no meu quarto e tudo.

- Viu? A sua família é rica ou, não é?

- O meu pai votou no João Dória.

- Então, vocês são pobres de direita!

- Hã?

- Nada não. (Pasmei!!! kkkkkkk)

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

UM CONTO

"UM CONTO"


"Coroné" Justiniano era o real comandante do povo pernambucano. Residente em São Romão. Cidadezinha de nada, perdida pelo agreste. Mas, muito da visitada era a casa da Celeste. É. Celeste era a proprietária, inclusive, das meninas, pois, sem nada ter de otária, arrendava o que elas tinha. As moças eram trazidas do Rio, Belo Horizonte, e por Celeste, vestidas e treinadas. Alí, ó, era fonte! Fonte de renda tão lucrativa que até mesmo o coroné, sendo homem ainda na ativa, quis conhecer o tal bordel e, quem sabe, até provar de uma que apetecesse, né? Celeste será que ia cobrar? Talvez não, por interesse... 

– Mulé, eu vou à Recife e talvez druma por lá! – Foi isso o que ele disse para a mulher dele, dona Iná. Botou de banda uma capanga e lá se foi pro zoeiro. Chegou, escolheu uma franga, sem nem falar em dinheiro. Rosinha tinha dezoito, mas nem isso aparentava. O coroné, então, já afoito, mostrou a arma que usava. E perguntou para a Rosinha:

– Será que tu aguenta? - Ela deu uma risadinha e disse:

– Ó, isso aí não tem pimenta!

Eram quase nove horas quando o coroné entrou. Entre os despois e os agora, meia noite chegou. Na sala, um só comentário do coroné e a apunjância: – Chiii... Rosinha num calvário e o coroné na abastança... No quarto, os dois já cansados, suor nascendo e pingando, o coroné de olhos vidrados. Rosinha só consolando: 

– Calma, coroné, calma! O senhor consegue! Não fica aflito, não. Óia, vai me alisando, alisando, que o senhor esquenta o rojão!

Até alta madrugada, Rosinha bem que tentou. Tudo ela fez, tudo, tudo, tudo, e nada, nada resultou... Coroné Justiniano lhe perguntou:

– Quanto é? Ficamo aqui um ano e eu não gritei Evanhoé!

Rosinha, sem se afobar pelo dia já nascer, pensou em nada cobrar. Mas, depois de padecer:

– Coroné, eu tenho um preço que depende do serviço. Eu nem sei quanto é que eu mereço por esse nosso enguiço, mas eu já dei uma pensada... e o meu preço já tá... já tá pronto! Se eu puder contar é nada, mas se eu não puder contar é um conto.

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Poema de Chico Anysio

Gravação de 2006, no programa da TV Cultura, "SR. BRASIL", de Rolando Boldrin. O artista Chico Anysio contou vários causos, juntamente com o apresentador Rolando Boldrin. Vale a pena ver. Sou fã desses caras. 
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Escrito por Álvaro Pensativo

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

E agora José? Greve ou não-greve?

O Supremo Tribunal Federal admitiu cortes nos salários dos servidores públicos que fizerem greve a partir do ano que vem (2017). Com essa medida, o STF não está desconsiderando o direito de greves legais e sim colocando um limite do que considera abusivo. 

É claro que muita gente está concordando com essa medida, pois, parece que o Supremo está defendendo o direito que as pessoas têm de utilizarem os serviços prestados pelos servidores nos estabelecimentos públicos de forma integral. Essa “suprema” decisão, teve um holofote intenso da Imprensa e repercutiu no país inteiro, provocando divisão na opinião pública nacional. Em qualquer país sério, os cidadãos respeitariam seus servidores públicos como profissionais valorosos, que são. Mas, aqui no Brasil, esses servidores passam por diversas tribulações na hora de atender o público, no cotidiano, pois têm uma “pseudo” fama de serem preguiçosos. Enquanto em outros países esses profissionais são respeitados, ao extremo, por executarem serviços essenciais ao bem-estar da população, o Judiciário prefere contribuir ainda mais para a desvalorização dessa categoria.

Os servidores públicos, sempre que houver necessidade, todos os anos fazem paralisações. Mas eles nunca ficaram devendo nada para ninguém. Não há perdão para os dias paralisados. Todos precisam repor os dias não trabalhados. 

As negociações sempre foram feitas por intermédio dos sindicatos que, às vezes, em assembleias, optam por realizar as greves, ou atos públicos, para pressionar o Poder Público a atender suas reivindicações. E, pelo visto, este ano, os sindicatos terão de acrescentar mais esse pleito na pauta. O corte nos salários se sucederá por falta de respeito ao direito de greve do funcionalismo público, isso está claro. 

E, para piorar, (diante da iminente aprovação da Proposta de Emenda à Constituição, a “PEC 55 do Teto dos Gastos”, que os políticos oposicionistas a denominaram de “PEC do Fim do Mundo”, por afirmarem que os investimentos nas áreas da Saúde e Educação ficarão congelados por vinte anos) surgiram comentários que, no ano que vem, os servidores públicos poderiam deflagrar inúmeras greves por todo o país, dizendo não à PEC que ainda está em tramitação no Senado Federal (A bancada aliada está sinalizando que vai aprová-la, pois é maioria). Isso explica essa truculência do STF sobre os servidores públicos. É sabida a quantidade de servidores que discordam do governo: É quase unanime. Com os cortes nos salários, é óbvio que a grande maioria optará por não participar das paralisações, caso contrário, terá de arcar com a perda em seus salários já tão defasados. A impressão que dá é que o Supremo se voltou contra os servidores para tentar zerar as greves no país, protegendo, assim, o desgaste do atual governo rejeitado por quase 80% da população. O Supremo acredita que, quando dói no bolso, faz o povo perder a capacidade de indignar-se. Mas, isso pode surtir efeito contrário devido a situação da política brasileira. Os especialistas estão dizendo que a indignação é geral e está para explodir a qualquer momento. Há muitos escândalos de corrupção na cúpula governista, a mesma que articulou o “golpe” disfarçado de impeachment da Presidente Dilma Rousseff. 

Os sindicatos dos servidores públicos deveriam tentar mudar de tática. Poderiam pleitear uma união com todos os sindicatos de todas as categorias do país, e, com isso, provocar uma “Greve Geral”. Com essa atitude, assim, em grandes proporções, deixaria bem claro quem é que tem o poder de resolver a vida do povo brasileiro. E vale a pena citar o ditado popular que diz: “O povo unido jamais será vencido”.

Mas enfim, e agora José? Greve ou não-greve? 

Haverá muitas greves, sim! Ou seja: A luta continua, companheiro!

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Este artigo foi escrito por Álvaro João dos Santos para ser apresentado na disciplina de “LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS”, da Profa. Me. Márcia Schlemper, do 7º Semestre do Curso de Pedagogia, da Universidade Brasil - Unicastelo.
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Texto de Álvaro Pensativo

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

imagem da internet

*A violência contra a mulher.

A Bíblia sagrada cita a mulher como o vaso mais frágil, e, portanto, ela deveria ser protegida pelo seu cônjuge. A mulher moderna, poeticamente falando, refuta essa citação bíblica, pois já demonstrou que é autossuficiente na sociedade ainda dominada pelo homem. Sua força física também é destaque, pois é possível vê-la velhinha e, ainda, cuidando dos seus filhos e netos com muita disposição.

A sociedade, apesar de machista, já reconheceu o avanço da mulher, mas ainda levará tempo até que todos se dêem conta dessa real situação atual da mulher, pois, ainda é possível presenciar a violência contra a ela. Vemos as mulheres sendo tratadas como pessoas de segunda categoria por seus maridos.

Nos últimos tempos, a sociedade criou leis para dar proteção à mulher. A delegacia da mulher, a lei Maria da Penha são alguns exemplos. Mesmo assim, pode-se ver casos absurdos acontecerem à mulher.

Enfim, é necessário continuar criminalizando a violência contra a mulher, até que, todos possam reconhecer que essa luta não é apenas da mulher, mas, também de toda a sociedade com equidade.
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Texto de Álvaro Pensativo

*Este texto foi exigido pela Profª. Márcia Schlemper - Da disciplina de Prática de Leitura e Produção de Texto, do 7º Semestre de Pedagogia - Set/2016 - UNICASTELO.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

DORMIR... zzz

Historinha para dormir... zzz

Mãe e filha já estavam deitadas para dormir. Já passavam das 23 horas e até a TV já haviam desligado. A mãe estava cansada, pois, aquele fora um dia extremamente cansativo para ela. A filha já havia tentado, mas não conseguia pegar no sono. Então resolveu apelar para a mãe: 

- Mãe, conta uma historinha de Deus para eu dormir?

- Ok. Era uma vez uma menininha... Linda... zzz

- Mãe, acorda! E aí? 

- E ai... ela era bem pequenininha... zzz

- Quem era pequenininha, a menininha?

- Não, a menina que sonhava que queria dormir... zzz

- Conta uma história de Deus, mãe. Você está contando uma história de mim... Canta uma música de Deus, então.

- Ok. Pirulito que bate bate... zzz

- Não, mamãe. Essa música não é de Deus. Volta para a historinha, então, por favor. O que aconteceu com a menininha? 

- Que menininha? zzz

- Então, faz uma oração de Deus para eu dormir. Eu repito tudo o que você diz, tá bom?

- Ok. Senhor me abençoe... zzz

- Senhor me abençoe.

- Todos os dias... zzz

- Todos os dias.

- Te agradeço... zzz

- Te agradeço.

- O japonês... zzz

- O japonês.

- A joaninha preta... zzz

- A joaninha preta?

- O pente fino... zzz

- Você está dormindo de novo, mãe. O que o "pente fino" tem a ver com a oração de Deus? Você está falando dos meus piolhos...

- zzz
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Texto de Álvaro Pensativo

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

ENTRE GOLFINHOS E TUBARÕES...

- Eu tenho uma praia só minha, sabia? Tenho 15 tubarões e 14 golfinhos. Foi a minha avó que me deu tudo.

- Uau, é mesmo? E os tubarões não comem os golfinhos?

- Não. Eles são treinados. Eu ando de tubarão. Quando eu me canso de nadar, eu subo nas costas deles e saio deslizando mar afora. Subo nos golfinhos também... mas ainda tenho dificuldade de nadar com os golfinhos, porque tem que pisar em dois ao mesmo tempo, senão eles não se equilibram e eu caio.

- E, você não tem medo dos tubarões?

- Não. Eles são treinados. 

- A praia é da sua avó?

- Era da minha vó. No meu aniversário de seis anos, ela me deu de presente. Agora a praia é toda minha. Está no meu nome, até. A minha vó é tão boazinha para mim. Ela é ótima!

- Mas, e quando você vem embora, os seus bichos se viram sozinhos lá?

- A minha vó mora lá, então ela que fica cuidando deles para mim.

- E, como ela cuida? Ela dá comida para eles?

- Ela dá comida sim. Ela dá tudo o que eles gostam. O que os meus golfinhos mais gostam é de açúcar, doce de leite e goiabada. Tem um que a comida preferida dele é bolacha recheada. Todos gostam de tomate, alface, batata, cenoura...

- E os tubarões, comem o quê? Peixes?

- Não. Os peixes vivem em alto mar. Só vejo os peixes quando eu mergulho lá no fundão. A minha vó frita carne e serve numa vara. 

- A sua vó frita a carne para os tubarões comerem?

- Eles não gostam de carne crua, vai fazer o quê?

- E o seu avô, ele ajuda? 

- O meu vô é separado da minha vó e mora na selva. Eu já fui visitá-lo várias vezes. Ele tem uma cachoeira bem grande que é só dele. Ele prometeu que daqui a oito anos, que é quando eu vou completar dezoito, vai me dar de presente aquela cachoeira linda. Eu não vejo a hora! Pena que não dá para levar os golfinhos e os tubarões para lá. Eles não gostam da água doce de cachoeira. 

- Da próxima que for visitar a sua avó, você me convida que vou junto com você, ok?

- Ok. Você será o meu convidado. Você sabe nadar?

- Não. 

- Não tem problema, eu ensino você a andar de barco.
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Texto de Álvaro Pensativo

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

ABRAÇAÇO - O MUNDO AINDA TEM ESPERANÇA

Não, definitivamente, aquele não era o melhor dia da professora Clarice. Ela teve problemas com o seu bilhete único e precisou pagar pelas três conduções até chegar à escola, para trabalhar. Normalmente pagaria apenas por uma passagem e utilizaria as integrações. Clarice estava atrasada, pois, nas primeiras horas da manhã daquele dia chuvoso, teve a sua rua invadida pelas águas da atípica enchente ocasionada pelas chuvas de março, e passou a madrugada inteira tentando tirar a água barrenta do seu quintal.

Luis sempre desafiava a professora, mas, naquela manhã, ele estava se superando e tudo que ela dizia, recebia de volta um arremedo do aluno rebelde. Luis tem onze anos e reside num abrigo da prefeitura. Foi afastado de seus pais pelo Conselho Tutelar. Alegaram abandono e violência familiar. Sabe-se que o pai está preso por tráfico de drogas e a mãe, bem, a mãe vive pelas ruas pedindo cachaça para qualquer um que queira doar. 

- Luis, - Indagou a professora - se você trouxe a sua lição de casa pode entregá-la, agora, está bem? - O menino retrucou arremedando a professora em cada palavra dita por ela:

- "Luis, você fez a tarefa de casa, nã, nã, nã nã nã?"

- Pare de repetir as minhas falas, menino!

- "Pare de imitar as minhas falas... lã, lã, lã, lã, lã!" - Arremedou o aluno, mas agora com a língua de fora.

Aquilo foi torrando a paciência, já abalroada pela manhã terrível que teve. Ela pediu para o outro aluno, o Leandro, ir chamar o inspetor João para auxiliá-la com a rebeldia do menino Luis. Quem sabe levando-o até a diretora. Ela poderia tentar acalmá-lo...

Ao chegar à sala, o inspetor João bateu na porta. Só ouviu um som de vidros se quebrando lá dentro. Como tinha a chave da porta, abriu-a. E o que o inspetor viu a seguir, deixou-o completamente surpreso. 

Vale lembrar que, minutos antes do inspetor João chegar, a professora havia ralhado com o aluno Luis por ele arremedar as suas falas provocando risos por todos da sala. Mas, enquanto o aluno Leandro fora chamar o inspetor, Luis irritou-se ao extremo com esse pedido da professora e jogou o seu caderno em direção a ela. O caderno passou pertinho da cabeça da professora Clarice, mas caiu no chão há uns dois metros dela. Em resposta ao ato do aluno, ela bateu com força o seu apagador por várias vezes na mesa, fazendo um barulho ensurdecedor. Todos os alunos ficaram assustados com essas batidas. Luis pegou sua cadeira e jogou-a no canto de um armário que havia atrás dele. A professora, irada, jogou a sua cadeira no mesmo lugar, como resposta. Luiz treplicou jogando a sua carteira com toda a sua força na parede. A força foi tão grande que, quando ela bateu no chão, quebrou uma perna que se soltou e foi parar na vidraça da janela. Foi neste momento que o inspetor João ouviu o barulho de vidro se estilhaçando e, logo em seguida, entrou na sala. 

Ao ver o inspetor João, o aluno Luis não se intimidou de forma nenhuma. E lançou uma outra cadeira em direção ao funcionário que se abaixou, vendo a cadeira passar bem perto da sua orelha esquerda. A professora jogou a sua mesa ao chão e como era uma mesa pesada, ela partiu o seu tampão em vários partes e tudo que estava dentro das duas gavetas espalhou-se pelo chão. As crianças agora gritavam assustadas com todo aquele alvoroço. Eram vistas coisas voando pela sala inteira, de um lado para o outro. Neste momento, o inspetor começou a retirar as crianças para fora da sala, pois o clima estava realmente muito tenso. Todos os alunos estavam atônitos e conseguiram sair rapidamente, ficando sob a proteção do inspetor, do lado de fora da sala, no corredor. 

O aluno Luis não parava e, acometido de grande ira, jogou outra cadeira, mas esta, agora, em direção à professora, que conseguiu desviar-se. Por um triz aquela cadeira não atingiu a professora Clarice. Luis e a professora estavam completamente transtornados um com o outro. Luís agora começou a jogar mochilas, cadernos, estojos, réguas e tudo o que via pela frente ia parar em cima da professora, que retribuia cada gesto da criança. Mas agora, ela jogava um objeto ao chão, Luis jogava dois. A sala já estava com quase todos os objetos dos armários amontoados pelo chão. Não havia mais nada que pudesse ser feito para acalmar o rapaz e a professora. 

O inspetor João prosseguia segurando as crianças em local seguro no corredor. O aluno Luis e a professora não cessavam de jogar objetos para cima um do outro, e foi indo, até que, esgotados, ficaram parados, um de frente para o outro, como dois bichos ferozes com olhos incontroláveis e enlouquecidos. A respiração ofegante dos dois era o único som que se podia ouvir naquele momento. E com os olhos fixos um no outro, ofegavam como dois animais numa rinha de batalha selvagem, disputando o território que só podia pertencer a apenas um deles. Quem iria vencer aquele duelo?

A cena era essa: Cadeiras, carteiras, armários, cadernos, mochilas, e etc. amontoados no meio da sala. Aquela parecia uma cena pós-guerra de filme, que é quando os guerrilheiros saem driblando os escombros para achar um lugar tranquilo para poder cair morto. Os dois rosnavam um para o outro e o inspetor vislumbrava a iminência de um ter que partir para cima do outro para ser consumada a desgraça, pois não havia mais nada que pudesse ser feito a seguir. O próximo passo poderia culminar na morte de alguém. Foi quando a professora estancou o choro, e, ainda ofegante, tomou a decisão de abrir os braços para o aluno Luis. E aquele gesto foi mais do que surpresa, ao ver o aluno Luis retribuir, e, com os braços também abertos, num abraço envolvente e sem fim, começaram a chorar e choraram demais, sem dizer uma palavra. Só choro. E choraram por longos minutos no interior daquela sala cheia de olhares lacrimosos. 

O inspetor João percebeu que algo realmente diferente acontecia agora, ao ver os dois ali, professora e aluno, abraçados e chorando com soluços longos. Choros copiosos envolviam professora e aluno. Como mãe e filho, abraçados ternamente um ao outro. O inspetor parou de segurar as crianças e permiriu que todos adentrassem à sala. 

E, todos os alunos, em silêncio, começaram a entrar na sala, um a um. E foram se achegando aos dois gladiadores abraçados ao centro da sala, circulando-os. De repente, um dos alunos abraçou a professora que estava abraçada ao aluno Luis, e todos foram se achegando àquele abraço. Um enorme abraço foi sendo construído, com mais de trinta crianças, todas chorando. Um enorme abraço formou-se ao centro da sala. O inspetor, envolvido por aquele abraçaço de amor, também abraçou-se ao abraço coletivo. E, a partir daí, foram chegando outras pessoas da escola, despertadas pelo enorme barulho da guerra de cadeiras e carteiras. E foram entrando, procurando entender o que estava acontecendo por alí. A diretora Marivalda, as outras professoras, os alunos das outras salas de aula, a coordenadora Geni, e, conforme iam entrando pela sala, iam sendo absorvidos por aquele abraçaço movediço. Carteiras, mesas, cadeiras e materiais escolares despedaçados por toda a sala, mas todos choravam abraçados. Foi lindo de se ver aquela cena. Foi uma reconciliação perfeita. Exorcizaram, sem "sai capeta", todas as mágoas existentes entre alunos, professoras e as demais pessoas. 

E, só após muito tempo é que começou o afastar-se do abraçaço. Agora, só professora e aluno restavam no meio da multidão que já havia se afastado. Os dois choravam e faziam juras de amor um para o outro. Tomou a palavra a coordenadora Geni, que disse com voz doce:

- O mundo ainda tem esperança.

"... Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar..." (Eclesiastes 3:5)
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Texto de Álvaro Pensativo

domingo, 21 de agosto de 2016

O GATINHO

Um gatinho havia ficado preso no supermercado que estava fechado, pois já passava da meia-noite. Ele aproximou-se de um jovem que estava fazendo reposição no setor de calçados do supermercado e disse:

- Rostiolrtfg corgoghjui!

O jovem repositor olhou para o gatinho, pensou, pensou e disse:

- Eu não estou entendendo o que você está querendo dizer, mas eu acho que você deve estar com fome, não é mesmo? - ele foi até o setor de comida para animais, pegou uma daquelas rações famosas para gatos, abriu o pacote, despejou num pratinho plástico, aqueceu no microondas e deu para o gato comer. Porém o gato não quis e disse:

- Rostiolrtfg corgoghjui!

O repositor, sem ter entendido absolutamente nada do que o gatinho disse, foi até o açougue, pegou um bom pedaço de bife que já havia sido fatiado e estava exposto na vitrine, temperou com sal grosso, colocou no pratinho e deu para o bichano. O gatinho só olhou para o prato e disse insistentemente: 

- Rostiolrtfg corgoghjui!

"O gato"
- Bom, com fome você não está, então, só pode estar com sede. - Entrou no setor de bebidas, pegou uma água mineral da prateleira, colocou num potinho e deu para o gato beber. O bichano olhou para o potinho, olhou para o repositor e disse:

- Rostiolrtfg corgoghjui!

A essas alturas o atendente já estava ficando irritado, mas respirou fundo e disse para o gatinho:

- Muito bem, querido, você está tentando me dizer algo, mas não estou conseguindo entender. Como eu posso ajudá-lo? O gatinho olhou para ele, piscou o olho e disse:

- Rostiolrtfg corgoghjui! - O repositor olhou para o gatinho com aquele olhar de sobrancelha direita levantada e disse, com voz já alterada pelo nervoso:

- Já que não estou conseguindo entender "lhufas" do que você está dizendo, vai embora daqui, agora! - E abriu a porta de correr da saída dos funcionários. O gatinho saiu correndo para o jardim do supermercado e, com muita pressa, olhou para um lado, olhou para o outro, fez o seu cocô, roçou o chão arenoso até encobrir o feito e voltou feliz da vida ao supermercado. Bebeu a água, comeu o bife, comeu a ração famosa e foi deitar-se no tapete persa do departamento têxtil.
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Texto de Álvaro Pensativo

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

TEXTINHOS VERÍDICOS PASMEI

By Álvaro Pensativo*

*Conheça esses "textinhos". Eles foram escritos com fatos do cotidiano da escola onde eu trabalho. São muito interessantes e posso lhe assegurar que são reais. Confira:

(1º texto)

No intervalo dos alunos dos 6ºs e 7ºs anos do fund II, avistei uma menina vestida de uma blusa brilhante e, então, comentei:

- Nossa, mas que blusa linda! Deve ter custado caro, não?
- Que nada, tio Álvaro, a minha mãe pagou só dez reais lá no Brás. (Pasmei! kkkkkkk)


(2º texto) 

- Essa aqui é a minha irmã, tio. - Disse a aluna do 7º ano ao me abordar no corredor da sala de leitura.
- Sério? - Disse eu, olhando para as duas meninas. - Mas ela não se parece nada com você - Comentei. 
- É que, até sexta-feira, éramos apenas amigas. Daí, no sábado, o pai dela se casou com a minha mãe. Hoje eu descobri que somos irmãs. 
- Impressionante. (Pasmei! Kkkkkkk)


(3º texto) 

- Tio Álvaro, olha só a violência que fizeram comigo. Está vendo aquele menino, de jaqueta verde? Ele me deu vários tiros de metralhadora, de bazooka, de canhão e, ainda por cima, puxou o meu cabelo e arrancou o meu sapato, e após tudo isso, ainda deu uma cotovelada nas minhas costas.
- É qual desses doeu mais?
- O canhão. (Pasmei! kkkkkkk)


(4º texto)

Um aluno do 3º ano veio me informar que havia esquecido a sua blusa pendurada na árvore do parquinho da escola, durante a aula de educação física. Quando voltou para pegá-la, a blusa simplesmente havia desaparecido. Mas quando retornava para a sua sala, ele disse ter visto um menino do 6º ano usando-a, porém não teve coragem de pedi-la de volta. Perguntei se ele conhecia o tal menino do 6º ano e ele disse que não, mas se avistasse a blusa, a reconheceria. Comprei a briga e dispus-me a recuperar a blusa do rapaz do 4º ano. Subimos ao 1º andar, que era o andar das salas dos 6ºs anos e, de longe, avistamos o menino vestido com a tal blusa. Ele estava vindo em nossa direção. Paramos em frente ao 6º anista e o menino, proprietário da blusa, falou:

- É essa blusa que é a minha, tio Álvaro. - E o aluno do 6º ano, com voz embargada, disse:
- É sério que essa blusa é sua? É que eu fui ao banheiro e percebi que estava com frio. Daí, eu olhei para o parquinho e vi esta blusa pendurada na árvore e pensei que tinha sido uma dádiva de Deus. (Pasmei! Kkkkkkkk )

(5º texto)

No segundo intervalo do recreio da manhã, um aluno do 4º ano começou a me dizer:

- Tio Álvaro, veja esse golpe aqui, ó? - Ele fez um requifife de pernas e braços, seguido por uma espécie de salto mortal carpado que cai em pé, mas depois dobra a perna deixando a outra esticada e, então diz:
- Aprendi num filme para maiores de dezoito anos e vou usá-lo naquela menina feiosa de trança que está ali jogando pebolim. 
- Mas, por que? O que foi que ela lhe fez?
- Na teoria, ela não fez nada, mas, na prática, eu preciso usar este golpe em alguém, né? (Pasmei! kkkkkkkk)


(6º texto)

Um aluno do 5º ano veio reclamar que o colega da sala ao lado havia dado um tapa em suas costas. Fui tirar satisfação com o agressor e ele me explicou o que aconteceu. Ele disse: 

- A gente estava brincando de pega pega e eu estava protegido no "tempo" e mesmo assim ele me pegou e disse que estava comigo. Então, tio, eu perdi a cabeça e bati nele. (Pasmei! Kkkkkkkk )


(7º texto)

(Pensamento de evangélico preconceituoso)

"Os espíritas, assim como os católicos, precisam ser evangelizados, porque eles não podem estar bem com Deus, pois não são cristãos evangélicos. Devem estar, no mínimo, endemoninhados".



(8º texto)

Michael queria zoar sua colega de classe, a Giovana. Então, ele inventou umas palavras secretas que deveriam ser pronunciadas para ter acesso à sala de aula: barrigão da Giovana. Isso mesmo. Para passar pela porta do 5º ano C, a senha era "barrigão da Giovana". Até que, a própria Giovana chegou a porta da sala e quando um dos alunos pediu para ela dizer a senha e ela não sabia qual era, ninguém teve coragem de lhe dizer quais eram as verdadeiras palavras secretas. A partir de agora, a senha passou a ser: barrigão do Michael. (Pasmei! kkkkkkk)



(9º texto)

Comentário sobre o corte de cabelo do Igor.
- Reparei que você cortou o cabelo, Igor. Ficou muito bonito, sabia?
- A minha mãe já cortou várias vezes para acabar com os piolhos. (Pasmeir! kkkkkkk)


(10º texto)

Existe ou não?
Uma aluna do 3o ano, toda esbaforida, veio dizer-me:
- Tio Álvaro. Está todo mundo dizendo que a "Loira do Banheiro" está assustando as crianças lá no banheiro. 
- Bobagem! Daqui a pouco dirão que o Papai Noel também existe.
- Existe ou não? - (Pasmei! kkkkkkk)



(11º texto)

Durante o intervalo do recreio, um aluno do 3º ano veio em minha direção e disse-me:
- Olha, tio Álvaro. Eu peguei duas fatias de abacaxi. Uma é para eu comer... - E mordeu o abacaxi - e a outra é para atacar nele. - E apontou para o outro aluno que estava sentado no refeitório, almoçando.
Olhei para o aluno com cara de reprovação e ele disse-me:
- Hum, delícia! Gosta, tio? Tá docinho! - (Pasmei! Kkkkkkk )


(12º texto)

Um aluno do 1º ano, do Fund I, veio em minha direção e disse-me:

- Tio Álvaro, eu tenho uma coisa para te falar. Pode ser agora?
- Claro, pode dizer, Carlinhos, o que é? 
- Aquela menina de blusa verde disse um palavrão. A boca dela ficou suja na mesma hora!
- Como assim? 
- A minha mãe disse que quem fala palavrão é porque tem a boca suja. (Pasmei! kkkkkkk )


(13º texto)

Uma aluna do 3º ano veio me dizer que ia processar a escola porque nunca viu a cozinha servir bife. Ela adora bife. Ela almoça todos os dias na escola e come ovos mexidos, peixe, carne cozida, carne moída, mas nunca, nunca comeu um bifinho na escola. No dia seguinte, eu a encontrei no almoço e perguntei-lhe se ela havia processado a escola. E ela respondeu:

- Vou contratar um advogado e vou processar. E já que eu vou processar porque a escola não serve bife, vou aproveitar e pedir refrigerante também... (Pasmei!!! kkkkkkk)



(14º texto)

(Eles têm apenas 7 anos?)

- Eu falei que te amava e você virou a cara para mim?
- Lógico! Eu não quero assumir nenhum compromisso sério agora. – Respondeu Lara, uma menina do 2º ano do Fundamental I, para Rodrigo, um menino romântico da sala ao lado, e, depois, concluiu:
- Você não tem idade suficiente para sustentar uma família, Rodrigo. - (Pasmei!!! kkkkkkk)

(15º texto)

(A menina e a água viva)
- Que dia lindo! Vou andar na praia. - Disse a menina num dia ensolarado.
- Que dia lindo! Vou nadar na praia. Disse a água viva no meio do mar.
- Ai, estraguei o meu dia. Pisei numa água viva. - Disse a menina.
- Ai, estraguei o meu dia. Fui pisada por uma menina. Disse a água viva.
- Ai, eu fiquei queimada! 
- Ai, eu fiquei amassada!


(16º Texto)


(O BEIJO GAY)

- Tio, a gente acha que o Serginho é gay.
- Mas, por que vocês acham isso?
- Olha só o jeitinho dele. Ele fala de um jeito esquisito.
- Está bem! Vocês têm preconceito da pessoa querer ser gay?
- Não. – Responderam em coro.

Ao olhar para o lado, lá estava o Guioberto com os lábios em formato de bico, pronto para dar um beijo em qualquer um.

- Chega, Guioberto! Agora todos sabem que você não tem preconceito contra os gays, mas não precisa tentar beijar nenhum menino, ok? – Todos riram. kkkkkkkkkkkk
- Ufa! Ainda bem, tio. Na verdade, ninguém quis me beijar. Eu também senti um pouco de nojo. (Pasmei!!! kkkkkkk)



(17º Texto)


Encontrei com a aluna Manuela, do segundo ano, na hora da entrada e, toda festiva, ela veio me dizer:
- Vi você, ontem, tio Álvaro.
- É mesmo? E, onde foi?
- Eu fui visitar a minha mãe, na casa nova dela e descobri que você mora bem em frente. 
- Você não mora com a sua mãe?
- Não. A minha mãe largou do meu pai e foi morar com a... não posso dizer isso!
- Por que?
- Porque... Vou te contar um segredo, mas não conta pra ninguém, tá bom? É que a minha mãe saiu de casa e foi morar com a namorada dela - Disse isso sussurrando perto dos meus ouvidos. E prosseguiu: 
- Você acha isso normal, tio Álvaro? 
- Depende. Você acha normal? 
-  Não. Mas é a minha mãe que decide a vida dela. Se ela ficar feliz, por mim, tudo certo.
- Muito bem, Manú, é assim que se fala. A felicidade é a coisa mais importante na vida das pessoas. Seja feliz, querida!
- Obrigada.

(18º texto)

(O QUE É O AMOR?) - Opinião da Laura - 7 anos.

- Laurinha, coisa rica de Deus, na sua opinião, o que é o amor?
- Amor é quando alguém te dá coxinha. (Pasmei! kkkkkkk)
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Textos de Álvaro Pensativo

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

SARAVÁ

Encontrei, na rua, uma senhora da Igreja que eu congregava e, como é comum entre a irmandade, fui cumprimentá-la com a paz, entretanto, ao invés de dizer - "A paz" - saiu um "Saravá", acredita nisso? Aquela mulher olhou para mim com uma expressão tão assombrada que parecia ter visto um fantasma - Ela respondeu-me instantaneamente:

- Tá amarrado, em nome de Jesus!

É óbvio que eu não sabia aonde enfiar a minha cara, mas resolvi tentar explicar-me. E talvez não tenha sido uma boa decisão. Acho até que piorei as coisas:

- Desculpe-me, irmã - Eu disse Saravá sem pensar. Na verdade eu gostaria de ter dito: A paz. 

E a senhora, com uma insuportável arrogância bíblica e acenando para uma outra irmã que passava do outro lado da calçada, disse-me:

- A gente só fala daquilo que o coração está cheio! 

Pensei naquelas palavras e, então, perguntei se ela sabia o que significava a expressão "Saravá". Ela respondeu que isso era coisa de macumba. Foi aí que eu decidi apelar com ela de vez. Respirei fundo e disparei uma explicação feita com falas rápidas:

- Saravá, irmã, significa que a divindade que habita no meu interior respeita a divindade que habita no seu interior, logo, a senhora estava perfeitamente certa quando disse que a gente só fala daquilo que o coração está cheio. Eu estou com o meu coração completamente cheio de Deus! Passar bem, irmã e, antes que eu me esqueça: Axé!

Ela partiu desconjurada, repetindo por várias vezes a frase:
- Tá amarrado, em nome de Jesus!
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Texto de Álvaro Pensativo

terça-feira, 2 de agosto de 2016

CINQUENTA CENTAVOS



R$0,50


- Mãe, me dá cinquenta centavos?

Todos olharam para aquela senhora após a criança fazer esse pedido. Era o seu filho pedindo-lhe essa pequena bagatela para comprar um pirulito de uva que o ambulante vendia no trem. E insistia:

- Mãe, me dá cinquenta centavos?

A mãe, com a fronte inclinada, olhou para o lado, meio envergonhada e disse:

- Não tenho, meu filho.

- Mas eu quero cinquenta centavos, mãe!

- Vamos conversar quando chegarmos em casa, ok?

Já em casa:

- Filho, nunca mais me peça 50 centavos na frente das pessoas do trem, peça 50 reais. Porque não ficará feio para mim se eu disser que não tenho, entendeu? 

Dias depois, no trem...

- Mãe, me dá cinquenta reais?

- Não tenho, meu filho. Toma aqui cinquenta centavos.

- Obrigado, mãe. Moço, me dá um pirulito de uva, por favor?
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Texto de Álvaro Pensativo

segunda-feira, 18 de julho de 2016

LEMBRANÇA DE CRIANÇA

Hoje eu vi uma criança (um menino) orando e chorando na igreja e fiquei tão triste...

E me pus a pensar sobre o quê poderia motivar uma criança tão jovem a se colocar de joelhos e, com os olhos serrados, derramar lágrimas tão copiosas. Ele clamava aos céus de uma maneira tão convincente, como se realmente quisesse obter alguma resposta de lá. Fiquei pensando sobre o que estaria se passando em seu lar, com seus pais, seus irmãos, sua vidinha tão frágil. Ele estava ali, ajoelhado, debruçado no banco à minha frente, tentando estabelecer um diálogo com o Senhor.

Como será que essa criança imagina ser Deus? Será que ele pensa que Deus é um homem sisudo, que não ama as crianças? Será que ele pensa que Deus é um velho bravo, barbudo, gigante, de cabelos brancos e encaracolados, que quer botar todos os malvados na cadeia? Será que Deus vai mandar todos os assassinos e ladrões para o inferno? Será que Ele vai ajudar as pessoas a sair de seus apertos?

O que será que disseram para esta criança sobre a Bíblia, sobre a fé? Será que alguém lhe contou sobre o sofrimento de Jesus Cristo naquela cruz pesada e ensanguentada pelo sangue de sua morte? Será que lhe contaram sobre a conversão "obrigatória" do judeu Saulo para o cristão Paulo? Imaginava isso, enquanto os meus olhos se enchiam de lágrimas. Entretanto, agora eu estava chorando mais do que o menino... Queria tanto que Deus ouvisse a oração daquele pequeno. Até pedi para Deus tirar todo medo daquela criança que, pela idade, não merecia ter nenhum problema que pudesse considerar insolúvel. Queria que ele fosse uma criança que confiasse na sua mãe, no seu pai.

Mas, o que poderia ser tão preocupante para uma criança que deveria ter cinco anos, no máximo? Será que o seu pai é alcoolista ou, como um cavalo selvagem, bate em sua mãe? Será que o seu pai está desempregado, ou está sem dinheiro para comprar comida? Será que a sua mãe não se casou com o seu pai, ou então, lhe contou que o seu pai não presta? Será que seu pai está na cadeia, ou até mesmo, morto? Será que ele mora com os avós?

Mas, é apenas uma criança! Tão franzino e tão pequeno! Deveria estar inventando brincadeiras de correr pelos arredores da igreja. Ou poderia estar subindo nas cadeiras empilhadas para ver o tanque batismal. Ele, neste exato momento, poderia estar no banheiro da igreja, se olhando no espelho, ou abrindo as torneiras automáticas, mas não! Ele estava ali, ajoelhado, chorando e falando com Deus, bravamente!

Porém, o que será que o fazia chorar? Eu poderia ter perguntado isso a ele, mas não queria interromper a sua comunhão com Deus. Resolvi perguntar, então, para Deus sobre qual seria o motivo daquela criança estar chorando tanto assim? Era um choro oprimido, porém, era um choro sincero de quem tinha realmente uma razão para chorar. Era isso que me incomodava. Não obtive nenhuma resposta de Deus, então pedi para Ele me acalmar, pois eu já chorava descontroladamente. Foi neste momento que comecei a me lembrar da minha infância, das surras que tomei do meus pai, da saudade sofrida que eu sentia da minha mãe que saia de casa bem cedo para trabalhar e demorava tanto para retornar. Lembrei-me do quanto o meu pai era violento com meus irmãos mais velhos também. Lembrei-me das coisas que me deixavam triste na minha rápida infância. Das músicas tristes, das situações tristes, dos problemas tristes. Criança não deveria ter problema. Criança não tem contas à pagar. Será que aquele menino havia sido estuprado? Será que ele estava sendo ameaçado por algum adulto malvado?
 
Que Deus tenha misericórdia de todos nós, mas principalmente das crianças, em nome de Jesus, amém
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Onofre W. Johnson

sábado, 2 de julho de 2016

CEBOLA E ALHO



Ajo y Cebolla

A professora fez um ditado numa sala de aula do 2º ano do Fundamental I. Ao terminar, pediu para todos os alunos lhe entregar, pois queria fazer a correção antes de passar a lição de casa. A aluna Josefa tem ainda muita dificuldade para escrever e ao entregar o seu ditado, ela tentou explicar uma palavra que havia escrito de forma diferente. Era a palavra cebola.

- O que há de errado com a palavra, cebola, Josefa?

- É que, ao invés de "cebola", eu escrevi “alho”, professora.

- Ué! Eu ditei cebola e você escreveu alho, mas por quê?

- Porquê é tudo igual, professora. Alho e cebola são as mesmas coisas. É tudo tempero.

A professora sorriu e quis saber um pouco mais sobre isso. Mas também notou que a aluna havia escrito a palavra alho com apenas três letras. Josefa explicou que o seu pai vendia esse produto na feira. Ela sempre lia a palavra na caixa de alho que vinha de fora do Brasil. E estava escrito assim: Ajo. – Foi aí que a professora descobriu que ela estava escrevendo certo, mas no idioma espanhol. Para a lição de casa, Josefa deveria escrever 20 vezes a palavra alho, só que agora em português. Também pediu para ela escrever 50 vezes a palavra cebola. 25 vezes cebola em português e 25 vezes em espanhol. Josefa descobriu que para escrever cebola, em espanhol, precisava colocar uma letra l a mais: 

- Escrevi cebolla, professora. E  na língua portuguesa se escreve cebola com apenas uma letra l.

- Muito bem, Josefa. Você aprendeu direitinho. Parabéns!